segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

A ampliaçao perfeita!!


Do Norte da Argentina ao Norte do Chile faço uma viagem de 10horas de bus com o objectivo de cegar a Calama e ainda ir a tempo de ver o Bernardo sair do aviao.
Pelo meio a viagem era em puro deserto com imagens que me consumiam e me deixavam desperto mesmo sem ter dormido na noite anterior. À saída da Argentina, na fronteira, estavam estacionados milhoes de carros e enquanto esperava que chegasse a vez do meu grupo, fui dar uma volta até as casas que ali havia. Feitas de barro pela proprias pessoas que ali viviam…é a chamada gente que “vive nos limites”!! Até à entrada no Chile foi mais 1hora de viagem no que posso chamar terriorio neutro, nao entendo…

Na fronteira chilena as casas eram iguais mas as pessoas mudavam de figura, nem que fosse pelos modismos que utilizavam. Era o verdadeiro “kilombo” (mais que uma grd confusao)!! E aí a 500metros era já o centro de S.Pedro de Atacama, mas eu nao me ficava…e com cara de pedinte e sem bilhete ate calama, la segui!!

Foi a verdadeira xitaçao ao ver esse loco sair do aviao com apenas uma mochila como quem vai para a escola.. Sensaçao extrañha mas muito boa, voltar a ver depois de 4 meses e meio passados com pessoas de cá. Para alem de irmao que me viu nascer e me conhece melhor que ninguem, é uma cabeça que pensa de maneira parecida à minha o que facilita em tudo qq comunicaçao seja ela de que maneira for. E é uma sensaçao de profunda admiracao e contentamento ver o meu irmao fazer milhoes de kilómetros e encontrarmo-nos do outro lado do mundo para continuar-mos a fazer a viagem que ja tinha começado.
E quando a vontade de viver e sentir cada dia bem aproveitado é grande…tudo ajuda e tudo se move em torno do objectivo principal desta viagem pela America Latina, sentir as pulsaçoes deste contagiante continente!!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Maravilhoso Momento do Mundo


Tou neste momento no “Anfiteatro” em Cafayate, deitado no chao a ouvir bossa nova tocada pelos melhores ou mais oportunos musicos de rua que conheci. Que sensacao leve de encher o coracao. Depois de uma hora na estrada à espera da boleia, lá cheguei…e tou completamente colado ao chao. Quiza deveria também haver nomeaçoes para 7 Maravilhosos Momentos do Mundo. Este seria serio candidato a vencedor!!

Chegou uma excursao, acabou o silencio. Creio que há medida que aprendo a compartir cada vez mais vou da mesma forma ficando mais egoísta por querer que estes lugares nao percam a magia com os magotes de gente que vai cegando em excursoes que fazer recordar as visitas de estudo da escola. Vou viajando ao meu ritmo. E assim posso ficar o tempo que quiser em casa lugar sem a pressao de turistas ou guias que me limitam as vistas e visitas. Subo paredes do anfiteatro com a Tatiana, indígena de 6anos que se entretén escalando sem material de escalada enquanto a sua mae trabalha e vende artesanias de ceramica.

E agora com dois pesos argentinos no bolso sigo viagem para o Salta. Conheci um homem na estacao de serviço de Cafayate, enquanto esperava que alguem me levasse para a Quebrada das conchas onde ia ver a “garganta del diablo” e o “anfiteatro”, que me disse que as 18h ia para Salta e me levava se eu tivesse na estrada, vou confiar e esperar por esse momento…

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Quilmes, o briefing para Machu Pichu!!


De amaicha fui ate as ruinas de Quilmes onde antigamente vivia essa mesma comunidade. Surpreendido a saida com a boa noticia de que viriam comigo alguns netos e amigos da familia Andrade. Assim la chegamos e com uma explicacao feita por quem mais sabe, uma menina de 12anos que pertence a comunidade, foi-nos mostrando como e que de maneira arcaica mas funcional viviam os seus antepassados em casas feitas de blocos de pedra. Sentia-me como que em um briefing para Machu Pichu. Mais um abraco eterno de pessoas que realemnte me animam a viagem.

E...com a sorte do mundoapanho boleia duns brasileiros ate Cafayate. Passamos a viagem cagados de risa porque ninguem mandava uma frase em puro portugues sem agregar palavras em espanhol. Mais umas pessoas que passaram pela minha viagem e mais um...ate sempre!!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Mais perto do que é importante


O tour pelo valle continuou depois de Tafi foi a vez de Amaicha del Valle. A viagem nao podia ter sido melhor, fui de boleia na parte de trás de um camiao onde dormia babadamente um homem com a barriga a transbordar para fora das calças. Montanhas, vacas, lamas, casas ímpares de pedra e barro no meio do campo.
Pelo meio do caminho o camiao apanhava tudo o que era peregrino de mochila ás costas. Uma visao alucinante é tudo o que pode descrever uma paisagem assim. Apaixono-me facil por lugares como este. E enquanto seguiamos caminho para Amaicha íamos aproveitando para parar e encher a barriga e garrafas de agua vinda directamente da montanha. Sem filtros, que nao era preciso..bebia-se tudo!!
Dei por mim a pensar que estas casas e familias, no meio da montanha, vivem longe de tudo. Mas ...”longe de quê?!” Logo aí percebi que nao vivem longe de nada porque para eles têm tudo ali e conhecem pouco para alem daquilo. Entao o “longe” ou “isolado” torna-se relativo. Se sao felizes ali e estao perto de tudo o que necessitam, estao bem!!

Ao chegar a Amaicha encontro uma vila que recem saía de uma semana de festejos tradicionais, cheia de gente ainda e com metade da feira montada. Dou uma volta pela feira a ver “que onda” e fico-me colado/sentado numa tenda em que vendiam de todas as marcas. A globalizacao é de facto uma realidade viva e o poder das marcas grandes é enorme e chega até aos lugares mais pequenos.
Vou falar com o Padre para ver se me safava. E safou, em 2minutos arranjou-me lugar para ficar a dormir em casa da senhora Rosita que sem me conhecer me abriu a porta de casa e me abraçou como se de um neto se tratasse. Abre-me o anexo da casa que tem uma cama gigante e uma casa de banho privada, verdadeira suite, melhor que qualquer hotel!! Para alé disso ainda me alimentava. Tudo isto e...sem nunca me ter visto antes...


Já com chave na mao vou dar uma volta pela vila, queria sentir e cheirar o lugar onde estava. Colo-me a uma porta que tinha uma folha explicativa da comunidade que ali vive em Amaicha: comunidade Pachamama (mae terra). Ao ler as “regras” da comunidade vejo sair uma muchacha com uns 40 anos cara de indigena e poucos dentes, começámos a conversar e explica-me que pertence à comunidade, convida-me a entrar em casa e mostra-me toda a vinha que têm dondé depois fazem o vinho Patero (uva é pisada com pé descalço). Mostrou-me e explicou-me todo o processo enquanto a mae de 70 anos me regalava umas ameixas tambem do jardim. Na casa estavam a viver varias familias em divisoes diferentes. Uns amigos daq familia Andrade outros filhos que ja eram casados e que ali ficaram vizinhos da mae Célia.
É uma destas casas que esta sempre de porta aberta e ha sempre lugar para mais um. Cada pessoa, cada índio. Sao de facto as pessoas mais parecidas aos indios que eu sempre imaginei desde pequeno quando brincava aos indios e aos cowboys. De pelo negro, comprido e liso, a mae Célia com uma trança tao grande quanto a bengala que o patrao da familia usava.

Recebem-me de braços abertos e integram-me como se fosse amigo da familia desde sempre. Sao grande, velhos, novos, crianças, de tudo há nesta casa. A pele, essa é na sua maioria vermelha. Passo a tarde a tomar mate e a ouvir estorias de familia e a explicacao de Danny (ainda hoje irritado com o nome que tem porque descobriu que nao tem qualquer significado), filho da Avuelita Célia, para os diferentes Deuses em que creem as pessoas da comunidade Pachamama. Os dois filhos de Danny foram primeiramente imaginados na cabeça de como iriam ser e entao depois se escolheu o nome deles com significados consoante o que foi imaginado.
Sou convidado a almoçar a jantar, fazendo-me sentir parte da familia em tao pouco tempo. A isto chamo a verdadeira vida em comunidade que é tantas vezes desprezada e tanta falta nos faz. Afinal é facil viver assim, basta querer!!


As paredes da divisao onde almoçamos estao decoradas com objectos da comunidade e uma fotografia muito especial da chegada, em 1993, do pai da familia ladeado dos seus filhos a Buenos Aires numa viagem a cavalo. Foram mais ou menos 40dias e na capital argentina todos pensavam que eram indios de verdade.
Uma familia grande, com muita vida para compartir com todos. Aproveitam o que de melhor têm e sao um exemplo de control mental e dedicaçao. A educacao impera!! Despeço-me deles com a tipica foto de familia e a vontade de partilhar, o que vive com eles, com toda a gente...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Era uma vez..


De Tucuman, pouco mais que o Terminal nao vi porque queria sair de esse centro urbano. Fui 1hora de colectivo para Tafi del Valle. A viagem deslumbrante com porcos selvagens a pastar junto à estrada, que maravilla de porcos!!
Preciosidade que um vale tem que ter…ai estava en Tafi com poucos turistas e muitos argentinos de buenos aires que aproveitam as ferias de fevereiro para conhecer o norte do país.
Um museu de jusuitas transportava-nos para o ano de 1700 aquando da passagem deles pela America do Sul e nomeadamente por Tafi que era muito mais indígena antes ate porque nao tinha estrada para la chegar. Apareceu por volta de 1970.

Depois, como se sabe, foram expulsos pelos espanhois por estarem a exercer um poder muito grande e um impacto ainda mayor nas comunidades inigenas e estas desenvovlverem o intelecto de maneira a que Espanha quisesse terminar com isso porque sentia que era uma ameaça desenvolver as capacidades intelectuais desses nativos. Dessa maneira sairam em finais desse seculo e as comunidades voltaram a isolar-se e a cairem ao abandono de qualquer governo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

on tour..



Mil e quinhentas horas de viagem até mendonça (Argentina) e chego sao 5h da manha porque o bus gostava muito de brincar à formula1. E assim tive que esperar por serem horas decentes para ligar para a familia Grimaldi que conheci en Viña del Mar, e que me ia dar dormida. Mal sabia eu que o jogo de River Vs Boca Júniores tinha sido em Mendonça essa mesma noite…e eu gringo de tshirt do Boca escutava canticos no Terminal de bus, pessoas de cara feia com a tshirt do River que tinha ganho 3-2. Tive medo!! Vesti uma camisola...feito!! Gente a dormir no chao babado, bebados e drogados passavam como se de um desfile se tratasse. Tentei relaxar e ai fiquei ate as 9h.





O dia tinha começado cedo e havia que aproveitar o pouco tempo que tinha em Mendonza. Depois de me acomodar em casa fui ate ao cerro da glória com San Martin em grande plano, homem que foi o grande maestro da liberalizaçao da Argentinaza mao dos espanhois.
Conhecida que é a cidade pelos vinhos de boa qualidade que produz, aproveitei para visitar a Bodega Chandon e…surpresa (ou nao) o Enólogo maior era portugues. Qum disse que Portugal é pequeño, han?! Especializados em champagnes foi assim feita a degustacao com queijos para picar…literalmente, limpei o prato tal era a fome!!

Em viagem as decisoes tem que ser tomadas com confianza e sem pensar muito. Confiar no instinto…foi isso que fiz depois de perceber em que diz estava. Descartei a minha passagem para ir a Cordoba, e em meia hora fiz a mochila, despedi-me e fui para o Terminal sem saber se tinha bus para o norte. E ai a sorte voltou a falar mais alto, 5min despois de chegar tinha um bus para Tucuman. Here i go…

Assim escrevendo parece perto mas foram 15horas de viagem durante toda a noite. Ao meu lado durante toda a viagem foi a Señora Amanda com cara indígena e um sorriso que contagiava. Conversámos toda a viagem ao mesmo tempo que chupavamos coca-cola e no final convidou-me a passar em S.Pedro de Jujuy onde vive toda a familia. Aí quando eu chegar tenho umas indicacoes de onde fica a casa e o nome da familia, acho que basta!! Vale a pena confiar nas pessoas, porque de certeza sou mais feliz que se desconfiasse porque ai nunca daria espaço para receber alegrias de quem confiava.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Piscolada



E depois de uma passagem fugaz por La Serena onde fiquei em 2dias em casa da Consuelo, com quem fiz missoes, fui novamente seguir viagem de mochila às costas para ir conhecer uns pueblitos cercanos. Entrei em Vicuña que há parte de ser pequeño tem todas as modernices de vila desenvolvida e ao mesmo tempo tradiçao pela gente e roupa que se vê. Aproveitei e vi de perto como se faz o famoso Pisco (bebida tipica do Chile) Capel. Uma visita guiada pelas vinhas e fabrica e toda uma explicaçao defazer crecer àgua na boca…o pisco viria depois. No final uma degustaçao de Pisco bem frio (como deve ser) deixou em mim a vontade de me emborrachar todo já ali tal era o calor que fazia sentir.

Mas nao…segui de bus para mais uma hora de viagem até Pisco Elqui, outro lugar de Valle de Elqui. Aí aterrei a meio da tarde e como nao gosto de pagar para dormir porque para elem de sair caro, nao é divertido e é a maneira mais facil, dar dinheiro a troco de dormida. Se assim o disse melhor o fiz, confiando fui almoçar e daí começa a conversa de que nao tinha lugar para dormir e que nao precisava mais que apenas um chao e um tecto para estender o saco-cama. Amablemente me recomedaram uma amiga, dona de um camping. E come la tive aval para preonoitar no camping sem pagar mas como tampoco tinha tenda, nao servia.

Tranquilamente fui recorrendo Pisco Elqui, um pequeño povo mas cheio de magia, tudo decorado, cheio de gosto pelas ruas com vista para a montanha para qualquer lado que se loase, impresionante…o verdadeiro vale!! Quando começou a entardecerpercebi que tinha que me apressar a arranjar lugar para dormir caso contrário ficaria na praça central. Começei entao de mochila uma busca mais confiada e com menos vergonha a preguntar as pessoas que se viam ao lado de suas casas. “Nao tenho lugar, plata e tampoco tenda…necesitaba somente um chao…blablabla”…e depois de umas negas e outras tantas recomendacoes fui até a uma Loja faz-tudo, aluga bicicletas, organiza tours e dormidas.

Falei e...ai mesmo fiquei! Um pibe entendeu-me e disse prontamente que “si, tranquilo. Tou a dormir numa tenda aquí atrás da casa, podes ir para la e eu fico na casa”. Assim foi, chegou as mil coisas que tinha na tenda para um lado e eu ficava do outro a dormir. E com este sentimento de pertença abri um vinho que trazia na mochila…e passaram 4dias em Pisco Elqui (era para ser so uma noite) com gente que pareciam meus melhores amigos e que nos conheciamos ha muito tempo. Banhos no rio, assados e muitos passeios de bicicleta e ainda ia distrubuir flyers do loja deles.

Que bom que ha gente assim, so temos que estar atentos e abir os olhos porque existem por todo o lado. Para além de tudo isto ainda me deu o contacto dos amigos de S.Pedro Atacama (Chile) para eu ficar la alojado. Assim se vao arranjando as coisas e a confianza mantém-se. Continuo iluminado…a viagem segue para Mendonza!!