quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

4a MARAVILHA DO (MEU) MUNDO: Isla del Sol - Lago Titikaka


Ao fim de quase 5meses de viagem e a descobrir a verdadeira tradição sul americana num país chamado Bolívia, encontro aquela que considero a 4ª Maravilha do Meu Mundo. Depois de ter passado pela parte norte da Isla del Sol, no lago Titikaka, fui até à parte sul onde ficámos a dormir. A dificuldade de descrever tao grande beleza é difícil. São dois pólos distintos mas que juntos fazem desta ilha uma Maravilha.

Chegámos de lancha à parte sul e começámos a subir, subir e subir. Pelo caminho víamos senhoras com os seus tradicionais hauayos (panos grandes artesanais) carregados às costas e passavam por nós a mil parecia que carregavam algodão mas não…era garrafões de agua, comida ou ate utensílios para os distintos negócios que cá têm. Desenvolvem a agricultura e aproveitam para ganhar outro tanto com negócios mais virados aos turistas desta ilha como restaurantes, alojamentos, kiosks e montras no passeio minadas de artesanais. Para além disso e olhando para o lago vejo na declinação da ilha uma infinitude de maravilhas, de burros e lamas a correrem e os donos atrás deles, vejo crianças de pele escura a treparem árvores e outras já de hauayo às costas ajudando em pequenas quantidades os pais.
O meu irmão via-me escrever e perguntava-me como é que se pode descrever um cenário como este, esta vista, esta coisa que parece que não tem nome ou que qualquer adjectivo é curto para dar noção do que realmente é.
Estamos a 4000metros de altura e a vista do topo é para um lago que não tem fim, parece um espelho. Do outro lado vê-se Peru e deste lado vê-se as terras ordenadamente agrupadas por cereal e vegetal.
Por muito que escreva, as palavras serão sempre poucas, mal colocadas e nunca descreverão o que isto é realmente. Não há nada como estar com os pés assentes numa Maravilha!!

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Pancho from Titikaka


A vida surpreende-nos...e ainda bem!! Só temos que nos deixar levar pela liberdade de pensamento, pela liberdade do essencial e pela vontade de sermos abraçados e tocados por tudo o que de bom existe!!

De La Paz seguimos para Copacabana para assim chegar ao lago Titikaka. Pelas fotografias parecia normal e a vontade de conhecer era...média. Recém chegados depois de uma viagem de 3horas pegámos num barco e fomos até á parte norte da Isla del Sol. Saí do barco...e percebi que era ali mesmo que tinha que ficar. Porcos e miúdos a jogarem descalços nas ruas estreitas de pedra, burros gritando de fome e um lugar com muito que fazer. Simplicidade e espectacularidade de paisagem rodeado por um lago gigante. Percebi ao fim de 5 meses que tinha chegado à América Latina mais pobre que tinha imaginado e é aqui que eu quero estar. De pronto, deixei a sopa a meio e o meu irmão pendurado, fui falar com a responsável duma ONG que estava la a trabalhar e disse-lhes que queria ficar com eles.

Depois de uma discussão no hostel em La Paz por me terem encolhido a roupa toda, este era o sinal, o contraste que precisava para perceber que a liberdade passa por desprendermo-nos das coisas que não nos deixam ser autênticos e agarrar o essencial. Fala-se muito em liberdade mas é difícil ter-la porque fugimos dela ao mesmo tempo que a buscamos. Assim sem medo e sentindo que o meu lugar e viagem passa por ficar, aqui fico...confiando ou mais que tudo, acreditando!! A ONG está a trabalhar para construir uma biblioteca, ajuda na escola com aulas de ingles e ainda trabalha para ajudar a melhorar o turismo desta parte Norte da Isla del Sol.

Se já achava que a Bolívia conservava em muito todas as tradições...mais ainda aqui. Para além de serem pessoas pobres, estão a 2horas e meia de barco de Copacabana que é o centro mais próximo. Acontece como as 2garotas que conheci no barco terem que ir a Copacabana fazer compras para a família porque sai mais barato que comprar na ilha. Um lago enorme y lindo de mais que dificulta a tarefa de por em palavras tudo o que representa. Isolado de algumas coisas mais colado a outras e ás que para mim fazem mais sentido...aqui fico a 2horas e meia dum centro.
Vou agora conhecer a parte sul da ilha que é um pouco mais desenvolvida mas que fica a 3horas de caminho (horas e meia para eles de cá). Ai passo a noite e me despeço do Bernardo. Aqui percebo que é bonito sermos livres quando estamos sozinhos mas perfeito sermos livres com alguém junto a nós!!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

UNBOLIVIABLE


Ao sair de Uyuni fomos de bus rumo a La Paz, toda a gente nos avisava para ter cuidado com os nossos pertences. Até que começámos a por mais olhos nas mochilas e bolsos.
Na entrada para os autocarros começava já a confusão. Sem electricidade nas ruas e feirantes que não se cansam de vender, íamos entrando para o nosso lugar. Com o passar do tempo na viagem fomos percebendo que a frase da senhorita que nos vendeu os bilhetes fazia sentido: “não se preocupem meninos, há lugares e muitos”. Ou seja, parece que toda a gente tem lugar e por isso durante a viagem de 12horas as pessoas não paravam de entrar…há sempre lugar para mais um, mesmo que pareça que não. O corredor já não existia, estava repleto de señhoras com as suas mil roupas e mercadorias nos respectivos hauaios. Basicamente, não nos podíamos mover! E a televisão que aparecia na folha de papel, aquando da venda dos bilhetes, nem sinal dela no autocarro. O nosso lugar estrategicamente bem escolhido para estar perto da televisão…valeu de nada!!
As primeiras 6horas de viagem foram de pura estrada de pedregulhos e terra no meio do nada e sem luzes pelo caminho a que alguns se atrevem a chamar estrada. Viagem épica que parecia não terminar. Chegámos a La Paz às 7h da manha de sábado e mais parecia La Guerra tal era a “selva”. Lixo, cidade escura, pessoas a comer num canto parecia já almoço, outros a dormir no chão, vendedores em todo o lado e a venderem de tudo (parece que não dormem nunca) e um edifício que dizia “Organização Democrática” totalmente esburacado por pedras ou balas.
E assim foi a recepção que tivemos na capital dum país que tem pela primeira vez na sua historia um presidente indígena. Odiado por uns e amado por outros. Evo Morales, é o verdadeiro presidente do povo!!

Um par de dias em La Paz fez-me sentir viver dentro de um bairro gigante que engloba toda uma cidade. A feira parece não ter um dia especifico porque todos os dias os feirantes saem à rua e montam o estendal com tudo o que têm para vender nesse dia. E nós limitamos-nos a regatear tudo porque é assim que aqui funciona, não há preços fixos e nem todos os produtos são verdadeiros. Percebi melhor isso quando ia a lavar o cabelo com um shampoo qualquer de marca comprado na feira e me sai para a mão uma gelatina que mais parecia querer brincar na minha mão. A necessidade de ganhar dinheiro é tão grande que depois não é difícil ver meninos nos semáforos a vender rolos de papel higiénico, minibuses a concorrerem entre si para ver quem leva mais passageiros em carrinhas de 9lugares com uma personagem que grita sem cessar os lugares por onde passa o minibús.

Quem vai na estrada esta em constante perigo, com gente que não respeita uma única regra de transito. Por isso há a necessidade de ter uns indivíduos vestidos de zebra e a passarem na passadeira de x em x minutos para ajudar a que haja algum respeito e que os peoes que querem cruzar as ruas, realmente o consigam. No meio de tudo isto vejo ao meu lado uma niña a urinar para um saco de plástico e a entregar à mãe que vende artesanias aos carros parados nos sinais. Vejo ainda uma velhota carregar uma botija de gás no seu hauaio. Parece um “vale tudo”!!

É um país que vive realmente noutro nível, não só economicamente como também fisicamente a 3500metros acima do nível do mar. Gera-se neste momento uma polémica luta entre as federações de futebol da América Latina que se querem recusar a jogar aqui em La Paz porque em poucos minutos estão caídos de cansaço…e percebe-se porquê!!

Definitivamente o país que mais me impressionou por toda a falta de estrutura e pobreza estampada à vista de todos. Parece que qualquer projecto que se apresente aqui será sempre bem vindo e uma mais-valia. Por tudo isto, há quem diga que a Bolívia é um país a precisar de aterrar!!

sábado, 16 de fevereiro de 2008

3a MARAVILHA DO (MEU) MUNDO: Salar de Uyuni


O dia começou cedo com o objectivo de chegar ao salar de Uyuni e daí seguir para o centro onde terminaria este tour pelo sul boliviano.
Falava eu do salar sabendo que deveria ser bonito mas que o Cristo Rei em Almada também esta muito bem conseguido.
Não tinha realmente noção…até la chegar. Fiquei mudo sem saber o que dizer para quem estivesse ao meu lado pois eles deviam estar a pensar o mesmo.

Um salar interminável de kilómetros com um fundinho de agua e a paisagem que não dá quase para distinguir o céu do salar. Pelo meio estão homens trabalhando diariamente com uma pá a fazer montinhos e assim ir secando o sal. É difícil de passar o que senti…estar a caminhar, a pisar sal…a correr no salar. Parecia uma Polinésia Francesa mas para melhor!! Há lugares que me sinto e percebo que sou grande e outros que me encolho e me limito à pequenez em lugares que posso correr, saltar, e nunca chegar ao fim, nunca chocar com nada. A isto chamo o mundo das maravilhas, este em que nós vivemos. É um privilegio poder desfrutar de um mundo assim!!

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A folha de coca nao é uma droga!!


Sem dormir mas com os olhos bem abertos, assim é o efeito da coca, cometamos de jeep o nosso tour pelo sul da Bolívia. Na fronteira para entrar na Bolívia não dava para acreditar. Parecia brincadeira!! Fez-me lembrar quando eu era pequenino e brincava de bicicleta com os meus irmãos em que um fazia de policia. Aqui era quase o mesmo, a diferença é que não era a brincar, era mesmo de verdade. Um arco no meio do nada dizendo fronteira Boliviana e umas casas mal amanhadas. Tudo à volta era deserto, kilómetros e kilómetros de nada…e depois admiram-se que há gente perdida!!

Admiro muito o condutor por saber (ou fingir bem) o caminho certo no meio de paisagem tão igual. Continuámos a subir em altura ao mesmo tempo que via as pessoas porem bolas de folhas de coca na boca para irem sugando e assim não sentirem tanto a altura.
Uma viagem indescritível que me surpreendia a cada kilometro. A verdade é que eu não dava muito pela Bolívia ate cá chegar. Talvez por não ter comigo nenhum guia e o único mapa da América latina somente ter comprado dias antes.
Com paradas para almoçar, jantar e dormir em casas privadas de bolivianos, que as transformavam em albergues aguando da passagem de turistas, dava para ir percebendo como vivia esta gente e entender a pobreza que aqui se vivia e que eu tanto já tinha ouvido falar.
Tudo pede dinheiro e tudo impinge tudo. E como o bom é saber através das próprias pessoas, que sofrem de falta de dinheiro, o que lhes vai na alma e o que pensam…assim tentando conversar com uma dessas señhoras que, como todas, usa a cartola, hauaio e saia gigante, não me dava muita bola, queria apenas que eu consumisse alguma coisa. E ai a musica deu a volta a situação, cantei “oh rama oh que linda rama” e o barracão, onde as señhoras todas vendiam de tudo, ficou calado. Não é que eu cante muito bem mas perceberam que me estava a esforçar para que saísse bem e daí resultou conversa e quebrou-se assim a barreira do Turista/Nativos. Por vezes, inconscientemente, exigimos muito dos outros sem querermos dar nada de nós proprios.
O jeep segue e nós também mas, de 10 em 10 minutos parava e nós premiamos…estavamos no meio do nada. Mas o ar tranquilo do condutor Javier enquanto arranjava o motor, fazia-nos acalmar.
A musica também não ajudava, um boliviano cantando mais parecia que lia a letra da musica como se de um livro se tratasse…enfim, era o único cd e radio não havia, obiamente!!
Lagos e termas…até gaisers visitámos num sul de Bolívia repleto de natureza que arrepia pela diversidade e beleza. Tanto para ver e descrever que se torna difícil para qualquer escritor em inicio de carreira!!

E numa dessas paragens para almoçar aproveitei para me tentar perder e conhecer a vila e as casas dali. A meio do caminho encontrei Mário (garoto de 12anos) que me levou aos spots da Vila onde vive explicando-me que a maioría das pessoas trabalha na mina, tanto homem como mulher. Não cheguei a descer a nenhuma para ver as condições mas imagino o que seja debaixo da terra se cá em cima já é isto que se vê de pobreza e falta de condições. E quem explora a mina de ouro é claramente uma empresa estrangeira, do Canada. Continuei com o Mário até à escola dele onde todos os amigos e meninos da vila jogavam à bola…e ai fiquei!! Mas não tinha bem noção do que seria jogar futebol a 3800 metros de altura. Passados 2minutos morri, fica a experiência para não voltar a repetir. Não sou boliviano, é um facto…e vivo ao nível do mar!!

Acabámos o dia num albergue de família boliviana a comer assado de lama. Existem tantas que se não se comer algumas em poucos anos não se passa de jeep no deserto.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Amigo do amigo meu amigo é!!


Amigo do amigo meu amigo é!! Assim foi em Pisco Elqui quando Matias me arranjou lugar para ficar e ainda me arranjou o contacto do amigo que vivia em S.Pedro Atacama. Sem hesitar muito liguei-lhe e ele, com a melhor onda do mundo deixou-nos acampar no jardim de casa dele (onde ele próprio acampava) tal era a enchente de turistas que os pais dele ali tinham no alojamento. E com a tenda que nessa manha a Benedetta (actriz italiana de teatro que conhecemos em 5minutos de conversa) nos emprestou sem ter-mos que pedir, percebeu que nos faltava tenda e de pronto a deu para as nossas mãos sem saber se nos ia voltar a ver. Se as pessoas respeitarem a confiança, acaba por se um jogo que se pode jogar para sempre e todos tiramos proveito dele.
Esticamos a tenda no jardim do Jorge, vestimos umas luvas e fomos ajudar no trabalho que fazia para ajudar o pai a melhorar o Albergue que tem.

Limpeza da terra. pedras e lixos porque em 3dias ia ser o assado de inauguração da piscina de plástico que ali tinham!!
No fim do trabalho, por falta de luz, convidaram-nos a entrar e a tomar once (espécie de jantar mas com alimentos que pertencem ao lanche) com toda a família.
Trataram-nos como se fossemos melhores amigos do filho, Jorge. O facto de ser amigo do Matias fez com que tivessemos "livre transito" para todos ali em Atacama.

Mais tarde, quando já não se pode fazer mais barulho a partir da 1h da manha, todos os que querem continuar o "carrete" seguem para lugares mais isoladas do centro e mais "desérticos" para continuarem a festejar e ai...há de tudo!! Fomos caminhando no silencio e na escuridão ate que encontramos a esperada fogata gigante e milhões de pessoas. Ate havia quem de mochila se dedicasse a vender bebidas, o negocio não pára. O que é certo é que a policia ali não chega...ou não chegou e por isso desfrutamos em ambiente familiar, mas família grande, até que nos cansássemos.
No dia seguinte (já nessa manha) tínhamos que estar despertos para iniciar o tour que nos levava pelo sul da Bolívia. A cabeça volta a virar calculadora para fazer os câmbios...

PS - Parabéns mãe e pai!! Que orgulho!! 31 anos... e eu sinto-me iluminado por ser fruto dessa magia contagiante!!

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

No deserto, em busca da camisola amarela!!

De Calama para S.Pedro em 2horas de bus com homens que xitadamente começavam a trabalhar no dia seguinte ali mesmo no deserto. A tshirt do Cristiano Ronaldo ja começa a dar sinais de integraçao, ninguem fica indiferente!!
O tempo aí foi de coladela para nós os dois, que é como quem diz…”dois dias sabe a pouco em Atacama”. Paisagem toda ela de postal e um povo que respira pó de contentamento. Muitos turistas, é verdade mas tambem muito que ver…o deserto é grande!

E assim de bicicleta um dia inteiro pedalámos mais do que podiamos para ver o máximo que conseguissemos, para nos podermos perder na imensidao do deserto y “oásis” merecidos e ainda chegar a tempo do por do sol no Valle de la Luna.
Parecia facil ao principio mas rapidamente mudou de figura tal foi a luta contra o vento e as pernas que já nao pedalavam como antes. É o grande acontecimento do fim do dia em S.Pedro Atacama, os carros de tours e poarticulares passavam em catadura mandando-nos pó para a cara. O que nos continuava a dar força era a meta que nos tinhamos proposto e assim chegar a tempo do por do sol.
Olhávamos já mais para o sol que para a estrada…

Chegámos!! Quase sem conseguir andar directo. Ao nosso lado passo a passo caminhavam tranquilos todos os “colarinho Branco” para tentar encontrar o melhor spot num valle de la luna que parece tirado dum conto de fadas!! Um Sol, umas montanhas, dunas…e estamos no deserto da Atacama!!

E porquê correr atrás de um pôr do sol sabendo que durante o dia o mesmo sol nos tostou a cara toda?! Porque inspira, porque vem do alto, é grande e belo. E tudo o que é belo deve ser visto e apreciado sem limites!!