sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Em brasa..


Ontem, depois de uma semana de trabalho na quinta ora ajudando a cozinhar para 200 pessoas, ora ajudando com as ovelhas, fazer "dulce de leche" ou construir telhados..fui convidado para ir a um assado (espécie de churrasco) que uma das classes organizava em casa de um dos poucos quem tem casa em Junin. Que boa onda tudo, três professores lá pelo meio, musica típica de cá e assado à maneira!!



Tudo ajuda e parecem todos da mesma família, incrível. Na mesa estava também uma salada de batata&ovo com uma colher para servir. Até aqui tudo bem!..perguntaram-se me não gostava porque não comia, disse-lhes que como não havia pratos nem talheres não sabia como fazê-lo. Exemplificaram-me então: pega na colherada de salada leva a boca e já esta e o outro que vem fará o mesmo. E se até agora tinha vindo a perder pacificamente vergonhas ou mariquices…sinto-me agora mais que integrado nesta cultura que parecem tratar-se todos de irmãos. É assim com o mate que gira por todos como em todas as coisas, tudo se reparte.
Pelo meio de Fernet, bebida típica de cá, com coca-cola (..para não matar) começaram à desgarrada com violas e violino e mais vozes típicas de cá…vinda do fundo das montanhas da Patagónia. E assim foi o fechar do tasco pelas 3h da manha. Dia seguinte seguia para passar o finde em Bariloche.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Grandes pés, Grandes ideias!!

Não há melhor despertar que com o sonido dos passarinhos na Janela.
Arranjo-me, saio de casa e já os garotos/as estão na escola a laborar o físico ou o intelecto em salas improvisadas para o efeito depois do incêndio.
Saludo a todos e todos me saludam. Há aqui na escola uma harmonia e cumplicidade muito grande com todos os professores, e pessoas que cá trabalham. Até aulas ao ar livre se dão com mesas e cadeiras debaixo da sombra da árvore, espectáculo!!
E com tarefas variadas vou buscando o meu espaço ou lugar aqui na escola. E é bom aprender com miúdos de 13 ou 14 anos que sabem muito mais que eu, tem mais técnica, é saudável e dá-me gozo aprender com eles. Baixar a cabeça até à altura deles e perguntar sempre que não sei.É gente dotada!!

Hoje fui com uma turma e mais uma professora, que é Eng. Agrónoma, visitar uma comunidade (terreno grande com animais que pertence a uma família, existem algumas casas). Aí chegados fomos construir uma estufa em tamanho grande para a família poder rentabilizar a sua produção.

Fiquei apaixonado pelo que vi hoje, a Patagónia e os patagones que eu sempre imaginava. Paisagem verde enorme com alguns lagos com agua a correr do cume das montanhas e gente indígena trajados a rigor. Chapéu que parece de Zorro, calça preta, colete e laço grande vermelho. Pele completamente vermelha!!


Foi difícil imaginar que no inverno se torna praticamente impossível sair dali que estão no meio da montanha e a 45 de carro de algum lugar mais habitável. A neve espalha-se por toda a montanha e o mundo deles é a própria comunidade (como já estão habituados). E são felizes assim porque é assim que se conhecem!!
Vê-se ovelhas com pelo cortado outras com pelo meio cortado, cães rafeiros e o orgulho da senhorita a oferecer-nos pão caseiro simples no fim do nosso trabalho. Fala-me com sorriso na cara que ali tem tudo o que precisa. Tosquia e ordenha as ovelhas, faz leite pão e todo o tipo de cozinhados provem dos seus animais. O dia, esse começa antes de o sol nascer para passear o rebanho e acaba quando a noite chega. Mas não se pense que estão sempre despertos porque vi-a abrir a boca de sono eram umas 17h, pobrezita...merece descansar!!

domingo, 25 de novembro de 2007

De Junin para o Mundo

Depois de 38 horas de viagem de El Calafate até Bariloche, volto a cambiar de ómnibus e as estradas mudam também. A minha barriga já nao sei o que me dizia se fome se azia. Bebia água e bolachas sem sabor para tentar que se calasse até que a paisagem de caminho até Junin de Los Andes me comecou a consumir toda a atencao e voltei a aperceber-me que estava na Patagonia. Montanhas, vales, rio. Neve no cimo da montanha, pessoas trajadas com roupa distinta da que me tinha habituado a ver neutros lugares..

Ao meu lado seguia um homem que ocupava quase 2lugares e que continuava a comer desenfreadamente. Pele vermelha, deu para perceber que era um local (ou visión dos locais). Mete conversa comigo com a tipica “de dónde eres?” Ao que eu respondo sem problemas “Nao tens nada a ver com isso, mete-te na tua vida!”...mentiiraaaa!!Ai comecou a conversa que duma viagem de 3 horas que ate ai se avizinhava silenciosa e solitaria da minha parte tal era o cansaco e mau cheiro que transportava comigo. Falou-me das rorigens italianas que tinha e mais do que isso fascinou-me ser um homem da construcao civil e saber falar italiano porque assim falava o avo dele. E assim me foi dando coordenadas legendando os Andes por onde íamos passando.

Chegando a Junin de Los Andes, ninguém estava à minha espera no terminal (como combinado) e comecei entao a dar voltas pela cidade. Bastou-me uma para cegar cegar e recorrer o centro! Tentativas de chamar para o suposto ser da Fundacao Cruzada Patagonica que me ia buscar e nada, nem sinal dele. Aproveitei para ir ao supermercado e comprar finalmente uma toalla de banho que ate agora nao tinha J e lá voltei a tentar até que consegui falar. Fiquei entao nessa noite hospedado num dos alojamentos de rapazes (mayores) que a fundacao tem. Bem recebido por todos, aterrei literalmente na cama e no dia seguinte ja me acordavam para seguir com eles no bus da escola que saia as 7:00.

A Fundaçao Cruzada Patagonica http://www.cruzadapatagonica.org/ trabalha em Junin e tem uma escola técnica para os filhos de distintas comunidades indígenas da Patagonia que assim aprendem as disciplinas normais de Historia, Geografia, Matematica, entre outras e ainda aulas de producto alimentar, florestal e outras da mesma onda. Dessa forma ganham formacao nas areas em que a mayoría das comunidades necessitam. Para além disso faz um acompanhamento das mesmas familias no local onde vivem, na comunidade, tratando de dar asistencia técnica e continuidade ao trabalho desenvolvido na escola.
Acaba por ser muito util porque aproveitam assim melhor os recursos que tem com a introducao de novas tecnicas que fazem melhorar/aumentar a producto.
Os alunos nao pagam nem pela escola nem pelo alojamento onde estao habitados durante o tempo de aulas porque na sua mayoría vivem longe isolados a muitos km de distancia o que seria um impedimento para estudarem em qualquer escola que fosse.

Assim cheguei demanhazinha no autocarro da escola e a sensaçao foi...MT BOA!! Estao habituados a ter voluntarios de outros paises, eu é que já nao estava habituado a ir à escola...e que escola!!

É uma quinta que fica a 10km do centro de Junin, isto é, fico no meio do nada. Tem ovelhas, bichos, passaros, arvores, rio e tudo o que rime com naturaza. E nestes lugares quando menos se espera...temos um cavalo atrás de nos a bufar, uma lebre a passarnos pelos pés ou uma manada de vacas a olhar com cara de caso. E é aquí numa casa feita para voluntarios/visitas que vou ficar a viver o proximo mes!!
Tem piada porque parece todo um seguimento logico os lugares por onde vou passando nesta viagem. Maior tranquilidade do mundo. Veio a primeira noite e que espectáculo...céu minado de estrelas e um silencio ensordecedor.
Veio a segunda noite e comecei a ficar aborrecido com tanta calmaria.

A casa onde estou vivo sozinho apesar de ter 2 quartos com umas 20 camas de beliche no total. Utilizo apenas uma do meio que é onde me sinto mais protegido pelas outras camas! Para alem de mim ha tambem a viver na quinta 4 professores cada um em sua casa e com a sua familia.
Das duas uma: ou dou uma de fazer um retiro de mês e saio daqui um eremita ou arranjo qualquer coisa que me distraia e com e que possa dar sentido aos fins de tarde e noite assim que todos os alunos se vao embora. É verdade que aquí há tempo para tudo (e isso é bom) mas o que aocntece é que quando nao há muito que fazer é indiferente ter muito ou pouco tempo.

Antes nao era assim porque os alunos viviam na escola até esta ter ardido em Agosto passado. Agora estao hospedados em casas e a grande mayoría no cuartel do exército. Ontem fui la jantar e a imagen é quase indescritivel. Senti-me a entrar numa prisao!! Uma camarata gigante com belioches de 3 camas e respectivo cacito por cama. rádios a passar cumbia e outros ritmos conforme o gosto do beliche, roupa e muito cheiro a macho. A quinta/escola é tao grande que nem me tinha apercibido ate agora da quantidade de pessoas que havia. Duarante o dia estao espalhados por diferentes pontos e nem se dá conta que é muita gente. Mas de todos sao sao gente “re copada” (gente boa onda) e assim facilita a integracao em qualquer dos grupos que se podem formar. Apetecia-me ter la ficado a dormir!





Revejo isto aquí como um campo de ferias em que participava mas a diferenta é que em vez de 10dias é o ano inteiro. Grande espirito de ajuda, de grupo. Nao ha mesquenhices de comida se um tem mais que o outro, agradece-se e ponto. Gente humilde e bem educada. Sabem na sua mayoría valorizar o que lhes é oferecido. Nos recreos ou horas mortas que normalmente sao de 20minutos nao se ve gente a jogar a bola, ficam a tomar mate a conversar debaixo da sombra da arvore a dizer boludices (idioteces).

Mas as 19h ja se vao os ultimos alunos e ai a escola torna-se um silencio grande de máis para mim. E nesta aproveio para remecer em papeis e salta-me o que Mario me deu antes de sair de Rio Gallegos “Francisco Hermano: cuando te sientas solo, sin compañía, acuerdate de mi. Levanta una madera del camino que yo estare o simplemente da vuelta una piedra y te acompañare” E assim me dá nova força para enfrentar o silencio e sacar o que de positivo tem.

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

2ª MARAVILHA DO (MEU) MUNDO: GLACIAR PERITO MORENO - DE LUA CHEIA

Tudo o que eu vá agora escrever não dá para caracterizar bem a sensação impactante que se tem ao ver uma coisa daquelas. Vazio de gente, barulho da natureza, uma luz gigante da lua posta no lago que se cola ao glaciar. Ouve-se os barulhos dos blocos de gelo a caírem no lago..parecem bombas que assim geram ondulação. Claramente uma Maravilha do meu Mundo!!

Bom feeling


Com mais 12 horas de viagem segui para El Calafate, muito turístico também mas que uma vez nestes lados tinha ganas de la ir por todos me falarem barbaridades desse lugar. Pelo meio da viagem conheci Anja que viajava sozinha e andava também à procura de projectos de voluntariado onde pudesse colaborar. Passei-lhe assim tudo o que tinha juntado ate agora e apercebi-me que não foi tão pouco como isso, e assim a viagem de bus passou num rato.

Chegando a Calafate tínhamos opcoes varias para hostels tal era a oferta no Terminal de bus. Seguimos para o mais barato e ai ficamos metidos no campo :D com um janelao na sala que passava mais luz do que aquela que o sol podia oferecer.



É um lugar hermosísimo para visitar, a pesar de estar cheio de turistas vale muito a pena e claro aproveitámos para fazer companhia um ao outro e assim visitar os lugares que tínhamos mais ganas desde lagos a vaguear pela cidade (que não é cidade) e fez-me confusão pensar que as pessoas locais tem que viver com os preços altos que há pelo turismo que se faz, digo locais que vivem em casas mal amanhadas de madeira que se vê por muitos sítios de lá, enfim..


O ponto alto foi claramente o Glaciar Perito Moreno. Do vasto leque de glaciares e excurssoes decidimos ir a este que é o mais mediático e conhecido por ter sido candidato a maravilha do mundo. Tem a particularidade de perder tanto gelo como aquele que ganha, esta em equilíbrio. Chegando la percebe-se porque foi candidato. É fenomenal!

Gigante y arrepiante!! Passeamos de botim especial pelo glaciar fora e assim perceber melhor a dimensão da natureza e a loucura que é. Para mim é completamente passada da cabeça por ter coisas assim como Perito Moreno.



Volvemos ao hostel e no fim do jantar 23:30 a muchacha do hostel disse-nos que tava lua cheia e que era inacreditável, uma noite única no glaciar. Quero ir…y vou!! Vi um espanhol de 50 anos sair do quarto para fumar o ultimo cigarro antes de se deitar, assaltei-o com frases de persuasão para vir a perito moreno e este convenceu-se, voltou ao quarto acordou a mulher vestiram-se e seguimos de táxi compartido para la cegar. Pelo meio, o taxista maluco parou num kioske porque disse que não se podia ir numa noite destas sem umas cervejas. E assim foi a partilhar cerveja por todos que lá chegámos.

sábado, 17 de novembro de 2007

FIM. E agora?!

Prossegue a viagem e desta é mesmo para cegar a Ushuaia.
Foram mais 12 horas de colectivo (o que é isso para mim? Nada!!) mas a odisseia é outra porque se passa por território chileno e então há que sair do autocarro com passaporte quando termina território argentino, depois mais uns 4km e voltamos a sair de passaporte em punho para entrar em Chile e mais uns 10km e estamos a sair do autocarro para a fronteira chilena e depois mais uns 2km e...”tá a sair do bus” para mostrar passaporte na fronteira argentina. Achei que ia ficar sem folhas com tanto carimbo que levava!!Uns km mais e cheguei “Ushuaia – Fin del Mundo”.

Os indicativos cá de telemóvel são diferentes consoante a província onde se esta e então é sempre complicado para mim perceber isso e perceber que números marcar..por isso achei q ia ficar novamente sem tecto..mas não!! Mariana (amiga de Maru que trabalhava comigo no Uruguay) foi-me buscar e ai fiquei. Casa com vista para a montanha..e que linda estava cheia de neve!! Acordar, abrir a janela e esticar a mão que quase tocava a montanha. Um frio que não estava habituado desde o inverno passado na Polónia. E quando começou a nevar nem me acreditei que era verdade. Lembrava-me de dias passados nas praias do Uruguay e arrepiava-me...senti-me um verdadeiro gelado!! Mas tudo isso não é por acaso, foi uma forma de me sentir mais próximo do Natal!!

Costuma-se dizer que “tudo tem um preço” e essa frase ganha mais vida em Ushuaia que parece que estou em Londres. É quase preciso dar um saco de pai natal cheio de pesos argentinos para pagar um café ou um sumo!!
É o lugar mais a sul e por isso assina sempre “Fin del Mundo”. Ai pode-se fazer muitas excurssoes com guias turísticos ou então...ir de Mariana!! Impecabelmente me levou de carro por tudo o que de bom aquilo tem e assim tudo tem mais interesse.

Colei!! Foi exactamente isto que disse a meio da visita nocturna pelo Parque Nacional de Ushuaia. Numa das pontas, junto ao lago vejo o céu mais claro parecia que estava a ficar dia e eram 23h da noite. Olho para a montanha de frente e vejo uma luz laranja parecia sair por detrás. Confuso e sem perceber o que era, perguntei e a resposta...“é o sol”. Inacreditável, senti-me no fim do mundo literalmente. Eu que nunca soube onde é que ele ia quando baixava e eu o deixava de ver...agora já sei!! Não há fotografia porque a maquina não dá para tanto..pena. Gravo na memoria essa fotografia!!

Foram 4dias muito bons ai passados, tocar o fim do mundo é uma sensação estranha mas muito boa e para mim...foi mais “principio de mundo” que dá ganas de viver, de conhecer de ver mais.


Porquê fim?!


quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Masca ai essa!!

Depois de uma noite em Puerto Madryn sigo para Rio Gallegos porque não posso ir directo para Ushuaia, o outro bus sai só as 9h. No autocarro volto a encontrar o mesmo condutor.. que alegria!!

“Tou neste momento num autocarro onde vejo o céu, as estrelas e caminha, numa recta estreita com campo dos dois lados, para o fim do mundo. É assim que se chama e percebo realmente que a maior parte das coisas que estamos habituados a dar valor são efémeras. Aqui sou feliz!!Estranho ter que sair do quente do meu país e casa para poder ver melhor isto, para me abrir os olhos. Viajo sozinho mas sinto-me completamente aconchegado!!”

A viagem leva 14 horas e por isso ainda deu tempo de voltar à cabine do condutor mas desta vez não compartimos mate mas sim coca. Este mascava coca e ofereceu-me. Depois de perceber que não tinha qualquer mal mascar aquilo, fiz um bolo e pus na boca para ir chupando. Explicou-me que é aquilo que o mantém tão desperto para conduzir em estradas tão infinitas e aborrecidas. Disse-me que há um condutor da mesma empresa que transporta mercadoria e que faz 36horas seguidas...a mascar coca todo o tempo, ta claro!!Loco!! E assim foi que mantendo-nos ambos despertos seguimos viagem compartindo um pouco de vida.

Chegado a Rio Gallegos apanho uma boleia ate ao centro da cidade que ficava a 30minutos do terminal e daí percebi que tinha 17horas até ao próximo colectivo que me ia levar para Ushuaia. Pensei em andar a vaguear mas na verdade eram muitas horas. Não queria ir para um hostel pagar para dormir sabendo que saia cedo no dia seguinte e rio gallegos não tinha nada de interesse para visitar. Vagueei a pedir dormida nos Salesianos, daí mandaram-me para o matriarcado e daí para o Ministério dos assuntos sociais. Sem nada a perder la fui. Falei com o presidente, contei-lhe que não tinha lugar para ficar e que não queria ficar na rua (não há pessoas a dormir na rua ate porque no inverno faz frio demais e não sobreviveriam). Percebeu a minha situação e amavelmente arranjou-me um modesto alojamento onde ficam os poucos sem-tecto que possa haver ou pessoas com dificuldades económicas.

Fui até lá, a porta aberta chamei pelo homem que via de costas a ver TV mas nem sonido dele. Achei que não tava nem ai para mim. La chegou o responsavel do alojamento e ai me acomodei. Tudo muito modesto e sem mordomias nenhumas. Sento-me a ver TV e a falar com dois chicos que estavam la a viver porque não eram daquela cidade e trabalhavam não dava para pagar alojamento e tudo. E ao lado estava e continuava sentado o homem que não me quis responder quando pedi para entrar. Poucos segundos depois percebi que era surdo.. E foi com ele que depois comecei a falar mais, li-a nos lábios e tentávamos falar assim. Achou que me tava a querer meter na vida dele por fazer muitas perguntas (para mim era o normal, mas percebi). Saquei do caderno e ai se desenrolaram horas de conversa. Ao principio a medo achava que eu parecia detective e depois paginas e paginas escritas compartimos a vida de cada um e falamos de religião a maior parte do tempo. Sabia muito!!


Mário sofreu na pele a crise da Argentina e antes disso tinha ficado surdo com um traumatismo que sofreu na cabeça e a mulher tinha morrido. As pessoas ou não acreditam que é surdo ou não fala sequer com ele. E assim foi...estávamos um para o outro. E se ao principio havia alguma distancia que ele queria ter por não me conhecer, no final já nos abraçávamos de alegria, de contentamento.

Dei-lhe força e ele a mim. Há momentos ou pessoas que mesmo que por pouco tempo...marcam muito e sei que este me vai marcar para toda a viagem. Vale pela intensidade e não pela quantidade de tempo com que se vive. Mário fica amigo do coração!